domingo, 9 de março de 2008

Dia de eleições



Movimentação em dia de eleição aqui também é diferente da movimentação no Brasil. Não se vê papel jogado e nem tanta gente na rua, provavelmente pelo fato de o voto ser facultativo. Só se vê mais pessoas na porta dos colégios onde há seções eleitorais.

Os partidos mandam para a casa dos cidadãos as listas com os nomes dos seus candidatos a deputado. As pessoas podem pegar a lista do partido que preferem e depositá-la na urna. Ou podem pegar uma lista na sua seção eleitoral.

O voto para senador é diferente. Há em cada seção uma folha de cor salmão como esta da foto com os nomes dos partidos (em Madri são 38). Cada pessoa pode votar num máximo de três senadores, mas todos do mesmo partido.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Fim sinistro

A campanha eleitoral estava marcada para terminar oficialmente à 0h de hoje. Mas o assassinato de um ex-vereador socialista basco pela ETA fez com que os partidos decidissem encerrá-la ainda durante o dia de ontem. Os grupos políticos espanhóis fizeram uma declaração conjunta condenando o atentado e o PP reclamou que não tivesse não sido incluída no texto o compromisso do próximo governo de não negociar mais com o grupo radical basco. Foi um prato cheio para os jornais de centro-esquerda acusarem o PP de boicotarem a união dos espanhóis contra a ETA.

Enquanto isso, no Brasil, só se fala na Espanha. Mas no assunto que a imprensa por aqui praticamente ignora. A "crise diplomática" entre Brasil e Espanha causada pela detenção de turistas brasileiros no aeroporto de Barajas só é crise no Brasil. Aqui só foi noticiado pelas agências internacionais e deve receber pouquíssimo destaque nos jornais de hoje. Ainda mais na véspera de eleição e no dia seguinte a um atentado da ETA.

terça-feira, 4 de março de 2008

Não entendo mais nada

Eu devo ter visto outro debate na segunda-feira. Hoje quando abri os jornais de centro-esquerda vi que deram ampla vitória a Zapatero, inclusive com margem maior do que no primeiro debate, e com base em pesquisas de opinião. Disseram que Zapatero foi o único que fez propostas. Verdade. Que Rajoy insistiu nos mesmos pontos do debate passado. Verdade também. Mas ainda acho que o candidato do PP passou mais confiança e que Zapatero pareceu hesitante.

Eis o que disseram os jornais hoje:

El País - Zapatero derruba Rajoy

Público - Rajoy não passa no exame

El Mundo - Rajoy desafia em vão Zapatero a defender o espanhol na Catalunha

ABC - Rajoy resiste num debate que Zapatero tentou transformar numa briga

La Razón - Rajoy supera um Zapatero escudado nas promessas

segunda-feira, 3 de março de 2008

Bléin!

Esse barulho aí de cima é o gongo soando. Terminou agora há pouco o segundo e último debate eleitoral entre Zapatero e Rajoy. Foi um massacre! Desde o primeiro round o candidato do PP jogou o adversário nas cordas e golpeou sem misericórdia. Em alguns momentos, Zapatero deu a impressão de ter ficado zonzo. Acho que amanhã nem os jornais de centro-esquerda terão coragem de dizer que ele se saiu melhor.

Desde o início Rajoy esteve muito mais seguro. Superou o adversário em todos os temas. Zapatero parecia sempre hesitante e em alguns momentos atordoado. Ele começou tentando falar de suas propostas para os próximos quatro anos, mas depois resolveu responder aos ataques de Rajoy e acabou se perdendo. Sua principal tática era interromper o adversário. Não conseguiu expor seu ponto de vista e nem rebater as acusações.

Rajoy, ao contrário, comportou-se o debate inteiro como um tanque. Tentou pintar a imagem de Zapatero como um presidente de governo desinteressado da economia, que se preocupava mais em promover "alianças de civilizações" do que com a situação interna do país e que dividiu a Espanha. E não importava Zapatero rebater. Na intervenção seguinte, Rajoy retomava sua linha de raciocínio de onde havia parado e voltava a descrever sua concepção de quem é Zapatero.

Vamos ver se esse desastre para o PSOE vai se refletir nas próximas pesquisas. E faltam só seis dias para a eleição.

domingo, 2 de março de 2008

Pesquisa de intenção de voto

Uma pesquisa publicada hoje pelo El País dá a vitória eleitoral ao PSOE, que hoje teria entre 165 e 169 cadeiras no Parlamento, contra 148 a 154 do PP. Outros dez partidos - a maioria nacionalistas - teriam pequena representação. Entre eles, estão o catalão Convergência e União (CiU), com nove cadeiras; o Partido Nacionalista Basco (PNV), com sete; e o Esquerda Republicana da Catalunha (ERC), com cinco a seis cadeiras. Segundo o jornal, há uma tendência de redução do peso dos partidos nacionalistas e conseqüente reforço do bipartidarismo.

A pesquisa dá, em detalhes, as intenções de voto em cada comunidade autônoma e em cada província (subdivisão das comunidades autônomas).

Algumas curiosidades regionais:

- Andaluzia (sul, 61 cadeiras): Em relação às eleições de 2004, o PSOE mantém sua vantagem sobre o PP na comunidade, governada pelo socialista Manuel Chaves.

- Catalunha (leste, 47 cadeiras): Os nacionalistas CiU e ERC perdem cadeiras para o Partido Socialista Catalão (que representa o PSOE na região) e o PP. Os socialistas mantêm mais que o dobro de cadeiras que o PP.

- Madri (centro, 35 cadeiras): O PP, que governa a comunidade autônoma e a cidade de Madri, deve ganhar um deputado do PSOE e manter sua maioria.

- Valência (sudeste, 33 cadeiras): O PP se distancia do PSOE e a coligação de partidos nacionalistas (Esquerda Unida do País Valência e Esquerda Republicana) perde representação.

- Castela e Leão (centro-norte, 32 cadeiras): O PSOE mantém estreita vantagem sobre o PP.

- Galícia (noroeste, 23 cadeiras): O PP mantém a estreita maioria sobre o PSOE.

- Castela La Mancha (centro-sul, 21 cadeiras): O PP mantém ligeira vantagem sobre o PSOE.

- País Basco (norte, 18 cadeiras): PSOE e PNV se mantêm como as principais forças da região, onde o PP tem pequena representação.

- Canárias (arquipélago atlântico, 15 cadeiras): O PSOE mantém a maioria sobre o PP tomando um deputado da Coalizão Canária.

- Aragão (nordeste, 13 cadeiras): O PSOE mantém a estreita vantagem. O partido nacionalista local, Comunidade Aragonesa, perde seu deputado.

- Múrcia (sudeste, dez cadeiras): O PSOE diminui a vantagem do PP.

- Extremadura (sudoeste, dez cadeiras): PSOE e PP seguem empatados.

- Baleares (arquipélago mediterrâneo, oito cadeiras): O PSOE, que empatou em número de cadeiras com o PP em 2005, assume a liderança na região.

- Astúrias (norte, oito cadeiras): PSOE e PP seguem empatados.

- Navarra (nordeste, cinco cadeiras): Seguem empatados o PSOE e o nacionalista União do Povo Navarro (UPN), que representa o PP na região.

- Cantábria (norte, cinco cadeiras): O PP mantém a vantagem de uma cadeira sobre o PSOE.

- La Rioja (centro-norte, quatro cadeiras): PSOE e PP seguem empatados.

- Ceuta e Melilla (possessões na África, duas cadeiras): O PP mantém seus deputados.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

La niña de Rajoy

Ainda ecos do debate. O discurso de Rajoy ao final do cara-a-cara de segunda-feira ganhou várias versões irônicas no Youtube. Esta tem trilha sonora de Richard Clayderman.



Tem também esta aqui. É melhor ouvir o discurso antes de assistir ao vídeo abaixo para entender do que ele fala.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

"Nós também existimos"

Llamazares, no seu avatar no Seconde Life

Em sinal de protesto por não ter sido convidado para o debate da última segunda-feira, o líder do partido Esquerda Unida (IU), terceiro nas intenções de voto com uns 5%, armou seu próprio debate. Gaspar Llamazares levou para uma faculdade de Múrcia cartazes em tamanho natural dos adversários Rajoy e Rodríguez Zapatero. O candidato, cujo partido tem o lema "é mais esquerda", até dialogou com os dois:

- Senhores 'Zaparajoy' e 'Rajoypatero', querem o modelo norte-americano, escolher entre a Coca-Cola e a Pepsi-Cola - disse, diante de um público de estudantes às gargalhadas.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Day after

Minha previsão se confirmou. Os jornais de centro-esquerda atribuíram a vitória no debate de ontem a Zapatero e os de direita a Rajoy. Ou seja, cada um interpretou como quis. Confiram o que deu nas bancas hoje:

El País - Zapatero ganha por margem mínima - O jornal mostra uma pesquisa de opinião que dá a vitória ao candidato do PSOE por quatro votos percentuais, mas admite que ele passou apuros.

Público - Agressividade faz Rajoy se perder - O jornal mostra outra pesquisa que dá a vitória a Zapatero por 15 (!) pontos percentuais.

El Mundo - Um Rajoy sempre no ataque obriga Zapatero a se apoiar no passado - Com direito a editorial "Um convincente Rajoy põe em apertos um firme Zapatero"

ABC - Rajoy encurrala Zapatero nos temas educação, imigração, preços e ETA - O jornal não apresenta pesquisas e tem um editorial com chamada na primeira página e o título "Rajoy se impõe"

La Razón - Rajoy encurrala Zapatero

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Alternativas

Para não pensarem que a eleição na Espanha é uma disputa apenas entre o PP e o PSOE: hoje, a caminho da faculdade, vi um trio elétrico distribuindo folhetos com propaganda do nanico Partido da Cidadania. Esta aí ao lado é a marca do partido. A princípio pensei que se tratava de uma publicidade de complexo de vitamina C. Eu tinha razão ou não?

O primeiro cara-a-cara entre os candidatos




O formato


Terminou agora há pouco o primeiro debate na televisão entre os candidatos Mariano Rajoy, do PP, e José Luis Rodríguez Zapatero, do PSOE. O formato é bem diferente dos debates a que estamos acostumados a ver na TV Globo. Era um cara-a-cara entre os dois candidatos com um mediador que intervinha muito pouco. Houve uma mensagem de apresentação de cada candidato, quatro blocos com assuntos específicos, um bloco livre e uma mensagem final. Por sorteio, Rajoy abria os blocos e Zapatero encerrava, o que lhe conferiu uma certa vantagem. Na próxima segunda-feira será ao contrário.

Apesar do formato "quadrado", com planos e contra-planos fechados nos rostos dos candidatos, a minha modesta opinião é de que o debate foi muito mais interessante do que no Brasil - ajudado pelo fato de haver apenas dois candidatos, o que nas eleições brasileiras só é possível no segundo turno.

Os candidatos tinham mais liberdade do que nos debates no Brasil e houve momentos em que um interrompia o outro, dando a impressão de que realmente se tratava de um "debate". O mediador interrompia apenas quando já se tornava impossível ouvir o que o candidato da vez estava expondo e não havia aquele irritante reloginho no canto da tela marcando o tempo de cada candidato, o que faz o debate parecer uma partida de futebol.

Impressão geral

Na minha modesta opinião, Zapatero se saiu melhor. Certamente ele tem retórica mais forte do que Rajoy. Na mensagem final, isso ficou claro. O candidato socialista falou olhando para a câmera, como se estivesse conversando com o espectador. Quase não se notava que ele de vez em quando abaixava os olhos para ler o texto. Rajoy, ao contrário, perdeu alguns segundos - mais de um minuto talvez - tentando encontrar a câmera. Tinha o olhar perdido, baixava os olhos freqüentemente para ler o texto e às vezes parecia estar procurando alguém por trás das câmeras.

Apesar disso, em muitos momentos Rajoy conseguiu complicar Zapatero durante as discussões. Minha opinião é que o candidato do PSOE teve melhor desempenho. Vamos ver o que dirá a imprensa escrita amanhã, apesar de que eu já posso adivinhar: El País e o Público dirão que Zapatero deu um show e o ABC e La Razón exaltarão o desempenho de Rajoy. El Mundo dirá, nas entrelinhas, que o candidato do PP se saiu melhor. A conferir.

Estúdio onde foi realizado o debate: "quadradão"

Estes foram os principais pontos do debate:

Economia e emprego


A discussão sobre economia foi uma guerra de números. Zapatero apresentou dados de como a Espanha cresceu nos últimos quatro anos e sobre a tendência de crescimento para 2008, enquanto Rajoy afirmou categoricamente que há uma crise na economia do país. Crise esta que Zapatero chegou a admitir, culpando a recessão mundial. No entanto, bateu na tecla de que na última legislatura foram criados três milhões de empregos. Rajoy quis dar a impressão de estar falando para o trabalhador espanhol médio, criticou a postura do adversário de citar dados macroeconômicos e destacou o aumento no preço dos alimentos. Eu diria que houve empate neste bloco.

Política social


Rajoy tentou centrar o bloco na discussão sobre a imigração. Citou dados impressionantes: em 2007 a Espanha recebeu mais de 700 mil estrangeiros, número superior a França, Alemanha e Reino Unido somados. Foi o segundo país do mundo que mais recebeu imigrantes, perdendo apenas para os Estados Unidos. Falou em "avalanche" de estrangeiros e defendeu a idéia de exigir dos imigrantes a assinatura de um contrato no qual se comprometeriam a tentar integrar-se à sociedade espanhola.

Neste bloco Zapatero adotou uma estratégia inteligente. De início, fugiu do assunto da imigração. Enquanto Rajoy dizia que os espanhóis estão perdendo vagas nas escolas e hospitais para estrangeiros e tentava associar imigração a delinqüência - com dados como o de que 34% da população carcerária da Espanha hoje é estrangeira -, Zapatero se centrava em apresentar as conquistas sociais do seu mandato. Só nas suas últimas intervenções o candidato socialista respondeu às questões sobre imigração: lembrou dos acordos entre sindicatos e patrões para a legalização de 700 mil imigrantes ilegais, destacou o aumento da ajuda para desenvolvimento dos países mais pobres e por fim criticou o contrato de integração de Rajoy. Disse que ele transforma os estrangeiros em "delinqüentes em potencial".

Quando Rajoy desistiu de falar de imigração para apresentar sua política social, já não havia mais tempo. Ponto para Zapatero.

Política exterior e de segurança

Como era de se esperar, a discussão deste bloco girou em torno da ETA. De política exterior mesmo quase não se falou. Rajoy insistiu no fracasso da negociação do governo do PSOE com o grupo radical basco, enquanto Zapatero criticava a resposta da administração do PP - que governou de 1996 a 2004 - aos atentados de 11 de março de 2004 em Madri.

Rajoy lembrou, em tom de acusação, que Zapatero foi o primeiro presidente de governo espanhol que teve a "imprudência" de negociar com um "grupo terrorista" e mostrou declarações contraditórias de Zapatero em relação à questão basca. Acusou o atual presidente de governo de incentivar os nacionalistas bascos, negociando com a ETA e seu braço político, o Batasuna, e reconhecendo no início de seu mandato partidos como a Aliança Nacional Basca (ANV) e o Partido Comunista das Terras Bascas (PCTV), que este ano, às vésperas da eleição, foram ilegalizados pelo governo. "A ilegalização foi um ato de oportunismo político", afirmou Rajoy, acusando Zapatero também de ter "ressuscitado" a ETA, que em 2004 estava inativa há mais de um ano.

O candidato socialista retrucou com inteligência. "Mas não foram vocês do PP que disseram que a ETA foi a responsável pelo 11 de Março? Como então eles estavam mortos na época?", perguntou Zapatero, remetendo às últimas eleições, quando o governo de José María Aznar tentou convencer a opinião pública de que a ETA havia sido responsável pelos atentados e não os terroristas islâmicos.

No assunto "segurança" Zapatero ainda desqualificou as críticas de Rajoy à sua negociação com a ETA lembrando que no governo de Aznar o terrorismo fez 238 vítimas na Espanha - 46 assinados pela ETA e 192 no 11 de Março - enquanto nos últimos quatro anos morreram quatro pessoas vítimas do terror, todas no atentado ao aeroporto de Madri, em 2006.

Atentado no terminal 4 do aeroporto de Madri: ETA dominou o debate no bloco de política exterior e segurança

O pouco que se falou de política exterior foi o momento em que Zapatero mais se sentiu à vontade, até porque este assunto é um grande trunfo do governo do PSOE, que assumiu interrompendo o impopular apoio espanhol aos Estados Unidos na Guerra do Iraque.

Política institucional

O assunto que dominou este bloco foi a complicada discussão sobre os estatutos das comunidades autônomas na Espanha. Desde o fim da ditadura de Franco, no final dos anos de 1970, a Espanha discute como deve ser seu modelo de Estado. Nos últimos quatro anos, várias destas comunidades - o equivalente aos estados no Brasil - reformaram seus estatutos de autonomia. A do País Basco foi rechaçada por PSOE e PP. Outras foram aprovadas por ambos os partidos. Mas o grande dilema foi o Estatuto da Catalunha, que sofreu um grande número de contestações no Tribunal Constitucional.

Rajoy acusou o PSOE de fomentar a discórdia nacional com o apoio ao estatuto catalão e citou declarações de espanhóis influentes afirmando que o Estado está se fragmentando. Zapatero respondeu insinuando que o PP está promovendo uma perseguição à Catalunha, comunidade onde a popularidade do partido é baixa. No fundo, o pomo da discórdia entre as comunidades é o uso da água, recurso raro na Espanha, principalmente na costa mediterrânea. As comunidades que possuem as maiores reservas tentam limitar a cessão às regiões vizinhas e, se possível, registrar esses limites em seus estatutos.

Último bloco

Na hora de falar sobre temas livres, Rajoy teve seu melhor desempenho. Começou atacando a política de habitação do governo do PSOE, que criou um ministério para o assunto, mas - segundo o candidato do PP - pouco fez para melhorar o acesso dos espanhóis à habitação. Rajoy começou lembrando que na Espanha os aluguéis são mais caros que na Holanda, apesar de a densidade demográfica espanhola ser cinco vezes menor que a dos Países Baixos. Zapatero respondeu com números comprovando que o crescimento do preço dos aluguéis foi menor em seu governo do que nas legislaturas anteriores e defendeu seu programa de aluguel jovem - subsídio dado ao governo para que os menores de 35 anos deixem a casa dos pais.

Quando o assunto foi meio ambiente, Rajoy criticou que o governo atual use apenas 6% de energia renovável. Na discussão sobre cultura, o tom ficou mais quente e ouve bate-boca entre os candidatos. Zapatero acusou o adversário de desqualificar o grupo de intelectuais e artistas que anunciou seu apoio ao PSOE e Rajoy disse que alguns desses artistas haviam chamados os eleitores de PP de "imbecis".

Mensagem final

Na sua mensagem final, Zapatero lembrou da retirada espanhola do Iraque

Neste momento, Zapatero superou Rajoy de longe. Não só pela melhor retórica, mas pelo conteúdo de seu discurso. Enquanto o candidato do PP leu um texto até certo ponto brega, baseado nas idéias de família, tradição e propriedade, Zapatero enunciou as conquistas de seu governo e o papel da Espanha como promotor da paz mundial atráves da ajuda ao desenvolvimento de países pobres e opondo-se a guerras como a do Iraque, qualificada pelo candidato de "ilegal".

domingo, 24 de fevereiro de 2008

A vez de Rajoy

Foto publicada na capa do El País de Rajoy com a esposa

Num link postado no domingo passado eu contei que a capa do El País era a matéria de uma semana com Zapatero. Hoje foi a vez de o jornal publicar uma matéria de uma semana com o Rajoy. Minha impressão foi que a tendência pró-Zapatero do jornal não ficou muito explícita. O mais interessante da matéria de hoje foram algumas revelações. Por exemplo, o nome do colégio em León onde os dois candidatos estudaram quando crianças. Foi o colégio das Discípulas de Jesus. O pai de Zapatero era decano do Colégio de Advogados da cidade e o de Rajoy, juiz de primeira instância.

Outra informação nova para mim é que a má relação entre o Grupo Prisa - dono do El País e da rádio Cadena Ser - vem de longe. Em 1996, o então recém-instalado governo de José María Aznar tentou impedir uma parceria entre o Grupo Prisa e a Telefónica, que tem participação estatal. O objetivo do governo era frear a expansão do conglomerado dirigido pelo empresário Jesús Polanco - falecido no ano passado - rumo ao mercado de televisão digital. Para tal, chegou a promover uma lei que sujeitava as operações de TV digital a uma autorização do governo. Com base nessa lei, Polanco foi processado criminalmente por um juiz. Além de ser absolvido, o empresário teve a satisfação de ver o magistrado acusado de prevaricação.

Em março do ano passado, a relação entre o partido e o grupo empresarial voltou a estremecer. Após declarações de Jesús de Polanco contra o PP, o partido promoveu um boicote às empresas do grupo. A versão do El País para a história está aqui.

A entrevista de hoje no El País termina com este espinhoso assunto:

O jornalista interpela Mariano Rajoy sobre o boicote que o PP decretou aos veículos do Grupo Prisa (...). É o momento mais tensa dessa conversa à mesa. O candidato do PP (...) afirma que respeita a imprensa de tendência - na sua opinião, é evidente que El País é um jornal de centro-esquerda que apóia o PSOE (...). Sustenta que nunca chegou a ter certeza de que a operação política, midiática e judicial que tentou levar à prisão Jesús de Polanco e o conselheiro delegado Juan Luis Cebrián (atual manda-chuva do Grupo Prisa) e arruinar o Grupo Prisa fôra tramada no governo de Aznar. 'No velório de Jesús de Polanco eu disse ao seu filho que queríamos ter relações normais com Prisa e, de fato, normalizamos as relações'.


E amanhã tem o primero debate entre Zapatero e Rajoy.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Questão de interpretação

Na foto Pizarro e Solbes, os 'números 2' das duas campanhas

Foi realizado ontem o primeiro debate na televisão entre os "números 2" dos principais partidos: Pedro Solbes, atual ministro da Economia e Fazenda, pelo PSOE; e Manuel Pizarro, presidente da companhia elétrica Endesa, pelo PP. Foi uma avant-première para o grande debate entre Zapatero e Rajoy, na próxima terça-feira.

A avaliação do debate por parte dos jornais espanhóis revela muito de suas posições eleitorais.

El Pais - "Solbes se impõe a Pizarro no arranque da campanha"

Público - "Solbes desarma Pizarro"

ABC - "Pizarro mostra os graves problemas da economia contra um Solbes na defensiva"

La Razón - "Pizarro ganha o primeiro debate"

O único que ficou em cima do muro foi El Mundo: "Pizarro promete menos impostos e Solbes mais proteção social"

A matéria do El Pais é a única fundamentada numa pesquisa de opinião. Segundo o jornal, a maioria dos entrevistados acha que Solbes "venceu" o debate.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Pauta pululando

Na foto ao lado, o jovem Rajoy

Dei uma olhada rápida no Google e não achei essa matéria em nenhum lugar, mas tem uma pauta que tá pululando nessas eleições. Você sabia que Rajoy e Zapatero estudaram no mesmo colégio, em León? O candidato do PP é cinco anos mais velho, mas seu irmão chegou a freqüentar a mesma série de Zapatero.

Ao contrário do candidato socialista, Rajoy não nasceu em León (na comunidade de Castela e Leão) e sim em Santiago de Compostela (Galícia). Apesar de ter vivido a maior parte de sua infância em Pontevedra, o jovem Mariano andou pelas bandas de León porque seu pai era juiz e por isso se mudaram algumas vezes. O pai de Rajoy chegou a conhecer o pai de Zapatero, que era advogado na cidade.

Daria uma baita matéria se um repórter fosse a León e descobrisse esse colégio. Aposto que ainda teria uma professorinha aposentada ou um velho diretor que dirá lembrar-se dos dois e ainda terá alguma história pra contar.

Nas últimas eleições o PSOE teve ligeira vantagem em León: três cadeiras contra duas do PP. E agora, como estará?

Na charge ao lado, o jovem Zapatero, numa outra visão. A fracassada negociação com a ETA foi realmente o calcanhar-de-Aquiles da última legislatura socialista...

Começou!

A campanha eleitoral começa oficialmente hoje à meia-noite (20h de Brasília), a apenas 20 dias da votação. Bem diferente do Brasil, onde a campanha costuma ter início uns dois meses antes do pleito. Apesar da proximidade do "9-M", o clima na rua ainda não é de eleição, pelo menos não o que eu imagino como "clima de eleição". Não existem galhardetes nos postes, adesivos nos carros, gente distribuindo santinho. Apenas cartazes dos dois candidatos a presidente de governo. E é claro, a cobertura mais ampla da imprensa. El País, por exemplo, finalmente inaugurou seu caderno de eleições.

Aqui na Espanha, onde o voto não é obrigatório, o grande desafio é convencer o cidadão a trocar seu domingo de lazer por uma visita à seção eleitoral mais próxima. A tarefa é tão complicada que o PSOE fez um vídeo chamando as pessoas para votar, nem que seja no PP. Algo inimaginável no Brasil. Está no El País.


Tuteando

Se nas ruas a campanha espanhola é bem diferente da brasileira, na imprensa não difere muito. Todo dia tem acusações de um candidato contra outro. Ontem mesmo Rajoy disse que Zapatero era culpado pelos protestos de estudantes contra duas candidatas a deputada do PP, que tiveram de sair às pressas das universidades onde tinham compromissos eleitorais.

Já Zapatero disse que o candidato opositor não teve pulso nem para controlar a presidenta da comunidade de Madri, Esperanza Aguirre, que armou um qüiproquó até conseguir deixar o prefeito da capital, Alberto Ruíz-Gallardón, de fora da lista do PP. "Se não teve firmeza com Aguirre, como a terá para dirigir um país?", perguntou-se Zapatero num comício.

Para mostrar como os ânimos andam exaltados entre os dois candidatos, El País usa um exemplo muito particular da língua espanhola. Assim como no Brasil os políticos costumam chamar-se de "vossa excelência" quando estão na tribuna, na Espanha é de bom tom que eles se chamem de "usted", o pronome de tratamento mais formal - equivalente em português à nossa expressão "o senhor".

Pois El País se mostrou indignado na edição de hoje de como Rajoy se referiu a Zapatero como "tu" e estampou na manchete: "Rajoy perde o respeito por Zapatero".

"Estou aqui me divertindo, porque estou contando aos espanhóis o que vou fazer nos próximos quatro anos, coisa que tu não fazes, tu só pedes o voto para que o PP não ganhe", disse Rajoy.

Pois não é que o pessoal da campanha do Zapatero trabalhou super rápido? Hoje mesmo soltou para a imprensa o tal vídeo, que eu comentei acima, no qual pede que os espanhóis votem, nem que seja no PP. Tacada de mestre dos marqueteiros do PSOE.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Barcelona: a chave

Eu já tinha ouvido falar algumas vezes que na Espanha quem decide as eleições é Barcelona. Olhando os números do pleito de 2004, posso comprovar que é verdade. O país é tão polarizado que apenas em quatro províncias o partido vencedor conseguiu uma diferença igual ou superior a três cadeiras no Parlamento em relação ao segundo colocado.
Em Cádiz e Sevilha, províncias da Andaluzia - onde os socialistas têm força -, a vantagem do PSOE em relação ao PP foi de três e quatro cadeiras, respectivamente. Múrcia foi a única província onde o PP teve vantagem significativa: três cadeiras.

Mas em Barcelona o PP tomou um banho: foi uma das poucas províncias onde ficou em terceiro lugar. E como Barcelona é o segundo maior colégio eleitoral do país - são 31 deputados -, essa diferença foi determinante para a vitória do PSOE.
Em Barcelona o PSOE conseguiu 15 cadeiras, contra oito do partido catalão Convergência e União (CiU) e apenas cinco do PP.

Os números completos das eleições de 2004 estão aqui.

ZP no El País

Uma das fotos que El País publicou na matéria de ontem sobre Zapatero. Fonte: elpais.es

El País publicou ontem uma matéria na capa de seu caderno de domingo com uma reportagem de uma jornalista que passou uma semana acompanhando Rodríguez Zapatero. A capa do jornal tem uma foto grande do atual presidente de Governo com sua esposa e a matéria conta com trechos como "o que mais chama a atenção em Zapatero é que é um sujeito satisfeito, tranqüilo, seguro de si mesmo, razoavelmente feliz".
A matéria de domingo que vem com o Rajoy será uma boa oportunidade de ver como um jornal dito progressista trata o candidato de tendência oposta.

Alguém aí acha que El País definirá Rajoy como "satisfeito, tranqüilo e seguro de si mesmo"?

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Resumo da ópera

Encontrei este link no site da IPS, uma agência alternativa de notícias. É o melhor resumo que vi até agora de como está polarizada a discussão eleitoral em torno da imigração.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Tá na rua!

Aí estão as provas de que a campanha realmente começou. O cartaz do Rajoy, cuja foto saiu bastante fora de foco, está em frente à minha casa na rua Bravo Murillo, no bairro de Tetuán, no Noroeste de Madri. O cartaz do Zapatero fica na estação de metrô Ciudad Universitaria, na região oeste da cidade.





Dá para reparar como os marqueteiros do PSOE são bem mais competentes. O cartaz do Zapatero transmite uma idéia de modernidade, assim como suas fotos de campanha. Hoje, no jornal Público, tinha uma fotos dos dois candidatos. Zapatero usava um sapato muito mais moderno que Rajoy e uma gravata preta, da mesma cor do terno, bem elegante. Já o candidato do PP usava uma desastrada gravata vermelha e um sapato velhinho, coitado. Pois os cartazes são semelhantes.

É claro que quem reparou nas roupas foi minha mulher, que também faz as vezes de minha editora no blog.

Público

Lançado em setembro do ano passado, o jornal Público veio reforçar o grupo de periódicos progressistas, que em Madri só tinha como representante El País. O principal corrente em vendas do El País, El Mundo, poderia ser definido como um jornal de centro-direita, enquanto o ABC e o La Razón são os representantes da direita na imprensa.

Para se ter uma idéia de como é fácil definir o posicionamento político do jornal, ao contrário do que acontece no Brasil, basta analisar as quato matérias do Público hoje sobre as eleições.

A matéria sobre o candidato socialista diz: "Zapatero oferece ajudas a mais 400 mil famílias - Apresenta-se como 'o aliado' das mulheres e lhes promete 1,2 milhões de empregos".

Já as matérias sobre Rajoy dizem: "PP aponta agora para dentista grátis - Idéia, semelhante à do Ministério da Saúde, foi tachada de 'eleitoreira' pelos conservadores"; "Uma estranha agenda eleitoral" (sobre as propostas de Rajoy); e "Idade penal aos 12 só convence o PP" (sobre a idéia do candidato de baixar para 12anos a idade penal, que hoje é de 14).

Continuando a folhear o Público, encontro algumas informações interessantes sobre a campanha. Uma matéria conta que, apesar de apenas PSOE e PP concorrerem "à vera" na eleição espanhola, existem mais 96 partidas concorrendo. O texto destaca partidos como o Por um Mundo + Justo, cuja sigla em espanhol soa bizarro para ouvidos brasileiros: Pum+J. Ou a Representação Canábica Navarra, cuja plataforma política se baseia(!) na legalização da maconha (cannabis).

Na lista publicada pelo jornal, me chamou a atenção também um partido listado como "Altern. Motor y Deportes". Fui pesquisar e descobri que se trata do Alternativa Motor e Esportes , partido fundado em janeiro de 2007 em Santander, no norte da Espanha, por aficionados do esporte e da velocidade. Este ano, o AMD concorrerá em 11 províncias espanholas. Entre seus projetos estão a criação na comunidade autônoma da Cantábria de um circuito rural de golfe e da "Cidade do Motor", um complexo automobilístico com circuitos de velocidade, kart e motocross, além de museu.

Audiência

CSI Miami: batendo Zapatero na audiência

Segundo o Público, na última semana a entrevista de Zapatero no canal de televisão Cuatro foi o quarto programa mais assistido pelos espanhóis. Em terra onde não passa novela da Globo e nem Jornal Nacional, a entrevista perdeu para os seriados americanos CSI Miami e CSI Nova York e para o humorístico francês Câmera Café, exibido no Brasil pelo SBT.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Clima de campanha

Finalmente começa-se a sentir algum clima de campanha na rua. Hoje de tarde quando saí de casa havia uma propaganda do Rajoy no ponto de ônibus do outro lado da rua. Na estação de metrô da universidade tinha vários cartazes do Zapatero. Amanhã posto fotos dos dois.

Na cidade de San Martín de la Vega, nos arredores de Madri, também foram colocados os primeiros outdoors da campanha eleitoral. E a reação de alguns radicais locais não foi muito gentil. Picharam um cartaz do Rajoy com impropérios e, segundo o site Terra, ainda queimaram uma bandeira espanhola.

Foto: elplural.
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Estado x igreja

Na quinta-feira haverá uma reunião entre Zapatero e o núncio (embaixador do Vaticano) na Espanha, monsenhor Monteiro de Castro. As disputas entre o candidato socialista e os católicos têm ocupado espaço na imprensa nos últimos meses. El País, que é um jornal de centro-esquerda, publicou uma foto de um encontro entre Zapatero e Monteiro de Castro em que o presidente de governo parecia estar dando uma bronca no núncio por se intrometer em assuntos de estado. Pelo menos era o que dizia a legenda. Mas o fato é que Zapatero aceitou reunir-se com o monsenhor na nunciatura em Madri e não no Palácio da Moncloa, sede do governo, como manda o protocolo.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Quebra-pau

A ilegalização dos partidos nacionalistas bascos continua dando o que falar. A Justiça espanhola proibiu ontem uma manifestação em Bilbao, o que me parece uma atitude bastante antidemocrática. Os manifestantes se concentraram assim mesmo no centro da cidade e houve quebra-quebra. É que hoje em dia toda violação à democracia e aos direitos humanos é válida em nome da luta contra o terrorismo - vide o caso Guantânamo. O terrorismo é hoje o que o comunismo era no passado: o grande inimigo, contra qual toda medida é válida.

Polícia e manifestantes no centro de Bilbao. Fonte: El Periódico

Veja imagens do tumulto aqui


Zapatero ainda tentou uma via diferente ao abrir negociações com a ETA durante o seu mandato. Mas como as negociações fracassaram, ele agora precisou mostrar serviço. E apóia as medidas da Justiça espanhola contra os nacionalistas bascos - hoje mesmo foram presos mais alguns líderes.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Falta de envolvimento

Algumas semanas atrás, quando tive a idéia de fazer este blog, tentei perguntar aos espanhóis que conheço como funcionava o sistema eleitoral do país. Escolhi meus colegas de curso: pessoas jovens, mas com nível superior. Duas não souberam me explicar, uma delas jornalista. Teve uma garota que resumiu de forma simples o complexo sistema eleitoral espanhol: "você vai lá, preenche o papelzinho, entra na cabine, põe o voto na urna e depois vai saber que ganhou Fulano de Tal".

Duas pessoas entre 45 milhões de habitantes não chega a ser uma amostragem expressiva, mas me dá a impressão de que os jovens aqui ligam menos para as eleições do que no Brasil. Quem foi me explicar um pouco mais sobre como funciona o sistema foi minha ex-companheira de apartamento, uma bailarina. O resto fiquei sabendo pela internet e por um outro jornalista brasileiro que está aqui há mais tempo.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Eleições na Espanha e no Brasil

Eleição aqui é muito diferente de eleição no Brasil. Faltando um mês para o pleito ainda não vi nem um cartaz na rua e nem recebi santinho de candidato. Aqui, como a eleição é indireta, não se vê adesivos com os nomes de "Reginaldo das Vans" ou "Serginho do Atacadão" colados nos carros. O que importa é o partido. Em algumas comunidades os partidos locais são muito fortes, principalmente no País Basco. Mas aqui em Madri normalmente o cara vota no PSOE, o partido de esquerda, ou no PP, o de direita. Ultimamente o PP tem sido mais forte na capital. Nas últimas eleições gerais foi o partido que teve mais deputados em Madri. Conta com a presidenta da comunidade autônoma, Esperanza Aguirre, e o prefeito da cidade, Alberto Ruiz-Gallardón. O mais interessante é que os dois não se falam. Estão "de mal", como se diz no Brasil.
A disputa com Aguirre levou à exclusão de Gallardón da lista de deputados do PP - um baita "tiro no pé". Quem faz a festa é a imprensa pós-PSOE (sim, porque aqui na Espanha, ao contrário do Brasil, existem grandes jornalões de centro-esquerda), que não perde a oportunidade de pôr na primeira página um desencontro entre Aguirre e Gallardón.


Zapatero, também conhecido como o Mr. Bean espanhol

Briga de comadre

Por sinal, a briga entre Aguirre e Gallardón dominou o noticiário no início do ano. Em seguida, os jornais passaram a se preocupar com o processo que está correndo para a ilegalização de dois partidos bascos, a Aliança Nacional Basca (ANV) e o Partido Nacional das Terras Bascas (PCTV). Dirigentes dos dois partidos são acusados de ligação com o Batasuna, uma espécie de braço político da ETA (e não "do" ETA, como se diz no Brasil), que foi ilegalizado em 2003. Críticos vêem a posição de Zapatero a favor da ilegalização da ANV e do PCTV como um mise-en-scène para responder aos que o acusam de ter feito pouco para combater o terrorismo.


Mariano Rajoy, o "amigo" dos imigrantes

Imigrantes: benesse ou maldição?

Outro assunto que tem recebido destaque é o plano do PP para o controle da imigração, que incluem aberrações como obrigar os imigrantes a assinarem contratos compromentendo-se a buscar a assimilação da cultura espanhola e adotar, entre outras coisas, hábitos de higiene dos espanhóis. Cá entre nós, adotar este ponto poderia representar um retrocesso para nós brasileiros, acostumados a nossos banhos diários, coisa de que nem todo mundo gosta na Europa.

Na verdade os espanhóis têm a oportunidade de decidir que posição eles preferem ter em relação aos imigrantes: encará-los como trabalhadores que vêm à Espanha para contribuir com o crescimento do país e ajudar os nativos a arcar com o enorme peso da seguridade social, dando à sociedade local um caráter multicultural; ou como um estorvo que só ajuda a aumentar a delinqüência e o desemprego e a corromper a cultura espanhola. Num país que hoje se vê com uma população de 10% de imigrantes arrisco dizer que este é o foco da discussão eleitoral.

Foi dada a largada

A praticamente um mês das eleições, dou a largada a este blog. Não prometo atualizações diárias e nem imparcialidade. Aliás, quem já leu a coluna ao lado deve saber para qual candidato me inclino. Mas vou tentar captar ao máximo "o clima das ruas".