A campanha eleitoral começa oficialmente hoje à meia-noite (20h de Brasília), a apenas 20 dias da votação. Bem diferente do Brasil, onde a campanha costuma ter início uns dois meses antes do pleito. Apesar da proximidade do "9-M", o clima na rua ainda não é de eleição, pelo menos não o que eu imagino como "clima de eleição". Não existem galhardetes nos postes, adesivos nos carros, gente distribuindo santinho. Apenas cartazes dos dois candidatos a presidente de governo. E é claro, a cobertura mais ampla da imprensa. El País, por exemplo, finalmente inaugurou seu caderno de eleições.
Aqui na Espanha, onde o voto não é obrigatório, o grande desafio é convencer o cidadão a trocar seu domingo de lazer por uma visita à seção eleitoral mais próxima. A tarefa é tão complicada que o PSOE fez um vídeo chamando as pessoas para votar, nem que seja no PP. Algo inimaginável no Brasil. Está no El País.
Tuteando
Se nas ruas a campanha espanhola é bem diferente da brasileira, na imprensa não difere muito. Todo dia tem acusações de um candidato contra outro. Ontem mesmo Rajoy disse que Zapatero era culpado pelos protestos de estudantes contra duas candidatas a deputada do PP, que tiveram de sair às pressas das universidades onde tinham compromissos eleitorais.
Já Zapatero disse que o candidato opositor não teve pulso nem para controlar a presidenta da comunidade de Madri, Esperanza Aguirre, que armou um qüiproquó até conseguir deixar o prefeito da capital, Alberto Ruíz-Gallardón, de fora da lista do PP. "Se não teve firmeza com Aguirre, como a terá para dirigir um país?", perguntou-se Zapatero num comício.
Para mostrar como os ânimos andam exaltados entre os dois candidatos, El País usa um exemplo muito particular da língua espanhola. Assim como no Brasil os políticos costumam chamar-se de "vossa excelência" quando estão na tribuna, na Espanha é de bom tom que eles se chamem de "usted", o pronome de tratamento mais formal - equivalente em português à nossa expressão "o senhor".
Pois El País se mostrou indignado na edição de hoje de como Rajoy se referiu a Zapatero como "tu" e estampou na manchete: "Rajoy perde o respeito por Zapatero".
"Estou aqui me divertindo, porque estou contando aos espanhóis o que vou fazer nos próximos quatro anos, coisa que tu não fazes, tu só pedes o voto para que o PP não ganhe", disse Rajoy.
Pois não é que o pessoal da campanha do Zapatero trabalhou super rápido? Hoje mesmo soltou para a imprensa o tal vídeo, que eu comentei acima, no qual pede que os espanhóis votem, nem que seja no PP. Tacada de mestre dos marqueteiros do PSOE.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
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