sábado, 9 de fevereiro de 2008

Eleições na Espanha e no Brasil

Eleição aqui é muito diferente de eleição no Brasil. Faltando um mês para o pleito ainda não vi nem um cartaz na rua e nem recebi santinho de candidato. Aqui, como a eleição é indireta, não se vê adesivos com os nomes de "Reginaldo das Vans" ou "Serginho do Atacadão" colados nos carros. O que importa é o partido. Em algumas comunidades os partidos locais são muito fortes, principalmente no País Basco. Mas aqui em Madri normalmente o cara vota no PSOE, o partido de esquerda, ou no PP, o de direita. Ultimamente o PP tem sido mais forte na capital. Nas últimas eleições gerais foi o partido que teve mais deputados em Madri. Conta com a presidenta da comunidade autônoma, Esperanza Aguirre, e o prefeito da cidade, Alberto Ruiz-Gallardón. O mais interessante é que os dois não se falam. Estão "de mal", como se diz no Brasil.
A disputa com Aguirre levou à exclusão de Gallardón da lista de deputados do PP - um baita "tiro no pé". Quem faz a festa é a imprensa pós-PSOE (sim, porque aqui na Espanha, ao contrário do Brasil, existem grandes jornalões de centro-esquerda), que não perde a oportunidade de pôr na primeira página um desencontro entre Aguirre e Gallardón.


Zapatero, também conhecido como o Mr. Bean espanhol

Briga de comadre

Por sinal, a briga entre Aguirre e Gallardón dominou o noticiário no início do ano. Em seguida, os jornais passaram a se preocupar com o processo que está correndo para a ilegalização de dois partidos bascos, a Aliança Nacional Basca (ANV) e o Partido Nacional das Terras Bascas (PCTV). Dirigentes dos dois partidos são acusados de ligação com o Batasuna, uma espécie de braço político da ETA (e não "do" ETA, como se diz no Brasil), que foi ilegalizado em 2003. Críticos vêem a posição de Zapatero a favor da ilegalização da ANV e do PCTV como um mise-en-scène para responder aos que o acusam de ter feito pouco para combater o terrorismo.


Mariano Rajoy, o "amigo" dos imigrantes

Imigrantes: benesse ou maldição?

Outro assunto que tem recebido destaque é o plano do PP para o controle da imigração, que incluem aberrações como obrigar os imigrantes a assinarem contratos compromentendo-se a buscar a assimilação da cultura espanhola e adotar, entre outras coisas, hábitos de higiene dos espanhóis. Cá entre nós, adotar este ponto poderia representar um retrocesso para nós brasileiros, acostumados a nossos banhos diários, coisa de que nem todo mundo gosta na Europa.

Na verdade os espanhóis têm a oportunidade de decidir que posição eles preferem ter em relação aos imigrantes: encará-los como trabalhadores que vêm à Espanha para contribuir com o crescimento do país e ajudar os nativos a arcar com o enorme peso da seguridade social, dando à sociedade local um caráter multicultural; ou como um estorvo que só ajuda a aumentar a delinqüência e o desemprego e a corromper a cultura espanhola. Num país que hoje se vê com uma população de 10% de imigrantes arrisco dizer que este é o foco da discussão eleitoral.

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