domingo, 24 de fevereiro de 2008

A vez de Rajoy

Foto publicada na capa do El País de Rajoy com a esposa

Num link postado no domingo passado eu contei que a capa do El País era a matéria de uma semana com Zapatero. Hoje foi a vez de o jornal publicar uma matéria de uma semana com o Rajoy. Minha impressão foi que a tendência pró-Zapatero do jornal não ficou muito explícita. O mais interessante da matéria de hoje foram algumas revelações. Por exemplo, o nome do colégio em León onde os dois candidatos estudaram quando crianças. Foi o colégio das Discípulas de Jesus. O pai de Zapatero era decano do Colégio de Advogados da cidade e o de Rajoy, juiz de primeira instância.

Outra informação nova para mim é que a má relação entre o Grupo Prisa - dono do El País e da rádio Cadena Ser - vem de longe. Em 1996, o então recém-instalado governo de José María Aznar tentou impedir uma parceria entre o Grupo Prisa e a Telefónica, que tem participação estatal. O objetivo do governo era frear a expansão do conglomerado dirigido pelo empresário Jesús Polanco - falecido no ano passado - rumo ao mercado de televisão digital. Para tal, chegou a promover uma lei que sujeitava as operações de TV digital a uma autorização do governo. Com base nessa lei, Polanco foi processado criminalmente por um juiz. Além de ser absolvido, o empresário teve a satisfação de ver o magistrado acusado de prevaricação.

Em março do ano passado, a relação entre o partido e o grupo empresarial voltou a estremecer. Após declarações de Jesús de Polanco contra o PP, o partido promoveu um boicote às empresas do grupo. A versão do El País para a história está aqui.

A entrevista de hoje no El País termina com este espinhoso assunto:

O jornalista interpela Mariano Rajoy sobre o boicote que o PP decretou aos veículos do Grupo Prisa (...). É o momento mais tensa dessa conversa à mesa. O candidato do PP (...) afirma que respeita a imprensa de tendência - na sua opinião, é evidente que El País é um jornal de centro-esquerda que apóia o PSOE (...). Sustenta que nunca chegou a ter certeza de que a operação política, midiática e judicial que tentou levar à prisão Jesús de Polanco e o conselheiro delegado Juan Luis Cebrián (atual manda-chuva do Grupo Prisa) e arruinar o Grupo Prisa fôra tramada no governo de Aznar. 'No velório de Jesús de Polanco eu disse ao seu filho que queríamos ter relações normais com Prisa e, de fato, normalizamos as relações'.


E amanhã tem o primero debate entre Zapatero e Rajoy.

Nenhum comentário: